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Parem de transformar idiotas em pessoas famosas

Por Tiago Abdala

É isso mesmo. Cada um de nós devia ter essa obrigação em mente e repetir cotidianamente:

Não vou contribuir para nenhum idiota ser famoso.

E repetir essa afirmação como se fosse um mantra. Se lembrar dela ao ler alguma notícia, ao consumir algum conteúdo.

Não é de hoje que as palavras de Baumam ecoam: “Vivemos em tempos líquidos, onde nada é feito para durar”.

E talvez por isso damos tanta atenção às coisas e pessoas idiotas que permeiam nosso dia a dia e velejam pela nossa timeline.

As coisas idiotas tais quais as pessoas idiotas são mais efêmeras que as demais. A liquidez é ainda mais explícita quando se pensa em fama, em “trend”, em “hype”.

Essas duas últimas palavras que permeiam o vocabulário de toda uma geração de idiotas são importados do inglês e significam respectivamente “tendência” e “moda”.

Por dias venho acompanhando a esdrúxula história de um morador de rua que foi alçado ao posto de celebridade nacional por uma coisa idiota que fez.

A verdade sobre a história talvez nunca seja conhecida. Primeiro porque ela já foi, grotescamente, contada em seus mínimos detalhes por um ser orgulhoso que, sabe-se lá o porquê, caiu nas graças do “povo da internet”.

Na verdade, a única coisa que importava nessa história toda, que era se o sujeito cometeu algum crime ao aproveitar de uma mulher fragilizada, parece não importar.

Os idiotas que fazemos famosos são um reflexo daquilo que valorizamos. Todos aqueles que deram palco a essa história é porque de alguma forma se identifica com a situação.

Se enxerga em algum dos personagens e talvez anseie por uma oportunidade de vivenciar a mesma situação.

Quem aí dentre as leitoras anda se sentindo tão desamparada ao ponto de entregar seu corpo a um desconhecido que em nada tem a ver contigo. Que sequer possui algum atributo físico ou mesmo alguma higiene.

Ou dentre os leitores existe algum que se sente socialmente diminuído ou que ainda não entendeu e superou sua própria lascívia? Talvez a grande maioria sequer entenda o objetivo dessas linhas.

Mas se você chegou até aqui é preciso repetir:

Não podemos fazer pessoas idiotas famosas.

Porque são os famosos o espelho da sociedade. E pelo reflexo estamos vivendo em uma sociedade doente que privilegia o errado ao certo, onde o bonito é ser feio.

E sendo feio e idiota pode-se tornar famoso ou quem sabe até mesmo um politico para representar aqueles que se identificam com retrato da decadência de uma sociedade estampado na cara de um morador de rua.

1 Comentário

1 Comentário

  1. Joaquim Días do Nascimento Júnior

    12 de abril de 2022 em 10:17

    A falta de senso crítico de muitas pessoas é gritante. Por essas e outras que elegermos um MACACO TIÃO, um TIRIRICA, um ROMÁRIO e outras NULIDADES para nos representar no parlamento.

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