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Olavo de Carvalho, ou aquele-que-não-deve-ser-nomeado

Foto: Matheus Bazzo

A malícia não vence a sabedoria. Essa é a frase, traduzida do latim, presente no cabeçalho do website oficial de Olavo de Carvalho. Olavo é um filósofo brasileiro, grande polemista, de calibre comparável a Nelson Rodrigues e Paulo Francis, e tema do artigo dessa semana.

Jorge Amado disse sobre ele: “De reconhecida competência na área da filosofia, tem obtido grande sucesso em suas pesquisas como no trato com seus alunos”. “Admiro Olavo de Carvalho não apenas pelo alto valor de sua obra intelectual, que inclui livros importantes sobre a filosofia aristotélica, sobre o relacionamento entre Epicuro e Marx e sobre a ‘revolução cultural’ provocada por Gramsci, mas também pelo vigor polêmico com que está enfrentando o que ele mesmo classifica como as ‘atualidades inculturais brasileiras’”, disse também, em 1996, o liberal Meira Penna.

Faço um pequeno parêntese antes de entrar no centro desse texto para comentar sobre o ódio exposto e praticado contra a pessoa de Olavo. Mises diz que apenas as ideias, e somente elas, irão iluminar a escuridão. Os progressistas, na sua sanha autoritária, costumam ter ojeriza ao nome de Olavo, fugindo dele como o diabo foge da cruz. O diabo ao menos tentou a Cristo usando das escrituras, tendo conhecimento destas. Os progressistas usualmente não conhecem nada sobre Olavo, pois não o leem, mas insistem em atacá-lo, assim como seus alunos e a exposição de suas ideias. Não se combate ideia com ideia, antes se valem de uma baixa retórica em argumentos ad hominem (contra a pessoa), sem diálogo, sem debate.

Filósofo e polemista que é, muitas vezes confundido com astrólogo ou terraplanista por baixos caluniadores, Olavo é sujeito que tem mais de 30 publicações literárias no Brasil, classificadas desde a compilação de artigos, como “O Mínimo”, até obras filosóficas, tendo como centro a obra “O Jardim das Aflições”. Me pautarei em algo viável ao acesso da maioria, o documentário “O Jardim das Aflições”, de 2017, dirigido por Josias Teófilo e disponível na plataforma Prime Video, da Amazon.

A ascensão do filósofo e polemista, que tem a sua presença na vida pública brasileira desde pelo menos a década de 90, teve seu ápice em meados de 2018, em ocasião da eleição de Bolsonaro. E é nisso que recomendo outro documentário, de 2021, chamado “Nem Tudo se Desfaz”, que trata melhor sobre o Brasil pós-2013, o progresso da nova direita e a eleição de Bolsonaro em 2018.

O documentário é dividido em três partes: contra a tirania do coletivo, como tornar-se o que se é e as ideias dos náufragos. Na primeira parte, Olavo trata principalmente sobre os problemas envolvendo ideologias, poder e a política. Ele dispõe que “quem está no centro é o Estado, portanto, a política”, pelo que “então, o Estado vai ser o modelador de toda a cultura, de toda a discussão humana”. Na segunda e terceira parte seria como, resumidamente, diante do caos visível na primeira parte, o sujeito reflete sobre si, busca conhecer a origem de suas ideias e, diante disso, avalia as ideias verdadeiras que valem ser adotadas.

“Se você não sabe a origem das suas ideias, você não sabe qual o poder que se exerceu sobre você e colocou essas ideias dentro de você. Então, esse rastreamento quase que biográfico dos seus pensamentos se torna um elemento fundamental da formação da consciência. Isso eu insisto muito nos meus cursos. Você escrever a história das suas ideias”, diz Olavo em importante trecho da segunda parte do documentário.

Retornando a primeira parte do documentário, enfatizo o trabalho de Olavo – e talvez o motivo do seu sucesso entre os brasileiros como intelectual público – na explicação da revolução cultural gramsciana e o estamento burocrático no Brasil. Primeiro, ele explica sobre a história do Brasil e a luta contra o estamento burocrático em Raymundo Faoro para, em seguida, contextualizar a revolução cultural em Gramsci e a sua efetivação por meio da ocupação de espaços. Foi o que ocorreu no Brasil e exemplo disso é como prevalece a mentalidade progressista nos meios editoriais, na mídia, nas universidades e no meio cultural.

Olavo é o tabu do passado que se transformou, nas palavras de Ives Gandra, no mestre de todos nós. É o professor que te ajuda a tornar-se o que se é, por meio de exercícios como o necrológio (pesquise sobre). Assista pelo menos ao documentário, não o trate como tabu, antes compreenda que ele é um dos maiores polemistas da atualidade e um grande filósofo brasileiro.

 

 

 

1 Comentário

1 Comentário

  1. Antônio sampaio

    8 de outubro de 2021 em 21:33

    Grande professor ,maior filósofo brasileiro
    Ele explica e escancara a verdade da política no Brasil, é a luz que abre nossas mentes !

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