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Filosofia

O legado de Sêneca

Um dos mais célebres intelectuais do Império Romano.

Lucius Annaeus Sêneca, popularmente conhecido como Sêneca, filho de um célebre orador, Lucius Annaeus Séneca (o Velho). Bem pequeno foi enviado à Roma para estudar oratória e filosofia, onde teve a oportunidade de conhecer grandes mestres. Passou também um tempo no Egito, para fazer um tratamento de saúde.

Foi um dos principais Estoicos, corrente filosófica em que as virtudes devem ser baseadas nos comportamentos e os atos devem ser mostrados evidenciando as virtudes; findada no princípio de que não controlamos e não podemos depender dos eventos externos, é viável depender apenas de nós mesmos e de nossas escolhas. Orador, advogado, nomeado questor e em seguida Senador. Dentre os fatos mais relevantes da vida de Sêneca está seu cargo de Conselheiro de Nero, imperador de Roma conhecido por um grande requinte de crueldade como relatos históricos dizem que ele mandou atear fogo na cidade de Roma. O filósofo sempre tentou guiar o Imperador para uma política honesta. Conseguiu isso apenas por um tempo e no ano de 59, depois de muitas decepções com os maus instintos de Nero, Sêneca resolve se retirar da vida pública. Passa então a morar em uma Vila distante da cidade. Foi também um homem muito rico, mais rico do que o próprio Imperador. Mesmo com tantos bens materiais, Sêneca tinha uma preocupação muito grande em viver de maneira simples.

Dentre os fatos integrantes da vida deste filósofo consta que ao discursar no foro criticando a instituição da escravidão e as desigualdades sociais do governo de Calígula, pontuando a fraternidade e o amor como fundamento das relações entre os homens, causou a ira de Calígula, imperador Romano, que se sentiu ofendido e decidiu matá-lo, porém Sêneca foi salvo por uma das amantes do imperador. Foi também acusado de adultério com a princesa Julia Livilla, sobrinha do imperador. É então exilado na ilha de Córsega, onde viveu oito anos.

As agitações na vida de Sêneca iam acontecendo e ele escrevia suas obras. Seus livros mais conhecidos são: “Consolação a Márcia (40 d. C.)”, “Consolação a Políbio (43 d. C.)”, “Diálogo da Clemência (56 d. C.),” todas evidenciando a renúncia aos bens materiais e a busca da tranquilidade da alma mediante o conhecimento e a contemplação. Suas tragédias mais conhecidas são: “Hércules furioso”, “As troianas, Medea”, “Hipólito”, “Oedipus”, “Agamenôn”, “Tiéstes”, “Hércules Oetano”, “As fenícias”, “Fedra”.  A obra-prima do filósofo “Transformação em Abóbora do Divino Cláudio”, é escrita logo após casar-se com Pompeia Paulina e constitui um poderoso grupo de amigos, trata-se de uma sátira, onde critica o autoritarismo do imperador e narra como ele é recusado pelos deuses.  Sêneca influenciou muitos autores, como Dante, que o colocou entre os “grandes homens”, Santo Agostinho e até mesmo Shakespeare em seus dramas.

 

“Nós não vivemos uma vida curta, mas desperdiçamos muito dela. A vida é longa o suficiente, e nos foi dada em medida suficientemente generosa para permitir que empreendamos os mais grandes feitos se a investirmos de boa maneira. Mas quando ela é desperdiçada na luxúria e no descuido, quando ela não é dedicada a nada, nos damos conta, enfim, em casos de necessidade extrema, que ela se foi antes de percebermos que estava passando. Assim as coisas são – nossa vida não é curta, mas a fazemos curta, não temos nenhuma escassez dela, mas nós a jogamos fora.”

O tempo é um dos principais fatos que Sêneca dedica-se a alertar seu público. Argumentando que, jogamos muito tempo fora e contrário ao dinheiro nosso tempo é limitado, finito, e não pode ser conseguido de volta. Uma vez desperdiçado, ele é perdido para sempre.

 

Por ser muito rico, percebeu como a riqueza pode aprisionar o homem. Atentando para que a possibilidade de perder a fortuna pode ser uma preocupação, começa-se a viver levando o peso dessa possibilidade a cada momento, fazendo o ser humano refém de bens materiais.

Profundo reconhecedor do valor de uma amizade verdadeira, afirmou em um de seus escritos: “O homem sábio é auto-suficiente. Ainda assim, ele deseja bons amigos, vizinhos e sócios, independente de quão suficiente ele é para si  mesmo.”

Dentre o legado de Sêneca está seu grande exercício de preparação para os golpes da Fortuna, com o pensamento de que aquilo que nos é concedido pela Fortuna não pode  ser realmente considerado nosso, sendo um empréstimo da sorte ou do  destino, e pode ser retirado a qualquer momento. Por isso, devemos sempre pensar nas nossas dependências e fragilidades e jamais nos apoiar naquilo que não está sobre nosso controle.

Olhar para alguém de conduta retas e que admiramos, também é um conselho para que tenhamos uma vida com mais assertividade.  Examinar nossos medos é um forte apelo do filósofo, afinal: “A maior parte das coisas, Lucílio, irão mais facilmente nos assustar  do que nos esmagar – Nós sofremos muito mais em imaginação do que em  realidade,”, afirmou.

Tão grande quanto os legados de Sêneca foi sua dolorosa morte. Acusado sem nenhum fundamento por Nero de fazer parte de uma conspiração que o tentou matar, é condenado à morte por suicídio.  Então corta seus pulsos, mas o sangue não fluiu de suas artérias como previsto, passou horas sangrando sem morrer ou desmaiar. Parte para a segunda tentativa de se matar, tomando veneno, novamente sem sucesso pois o veneno não fez efeito. Finalmente, Sêneca entrou em um banho quente para ser sufocado até a morte, e por fim, morreu.

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