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Economia

Mercado de trabalho no pós-pandemia terá salários menores e crescimento de vagas informais

Via: jovem Pam

O arrefecimento da pandemia do novo coronavirus  esperado para o segundo semestre deste ano, caso os planos de vacinação sejam cumpridos, deve trazer um alívio ao mercado de trabalho  pressionado por 14,4 milhões de desempregados. Entretanto, o brasileiro encontrará vagas precarizadas por salários menores e características de ocupações informais, como a ausência de direitos trabalhistas e sem horário e dias regulares. A retomada do emprego pleno ainda não é algo que se prospecta no horizonte. Apesar das medidas de restrição impostas pela crise sanitária terem aumentado o fosso da desocupação,, o país já vinha de uma situação econômica bastante delicada e que se agravou com os gastos ao combate à pandemia. A situação de empregos com baixa qualidade deve se estender até ao menos o fim de 2022, segundo Juliana Inhasz, economista e professora do Insper. “Não será um emprego que o trabalhador gostaria de ter, nem o tipo que a economia precisa para crescer. O brasileiro vai ter um salário menor do que ele teria em condições normais ou abaixo da sua qualificação, além de não ter muita segurança trabalhista, como 13º salário, férias”, afirma.

A precarização do trabalho formal faz parte do ciclo da crise econômica e já foi observado em outros momentos recentes da história. A disparada do desemprego causada pelo fechamento de empresas, comércios e da desaceleração da produção industrial é o primeiro sintoma da piora da situação econômica, e é por esta fase que o Brasil passa neste momento. Dados do Instituto de Geografia e Estat[istica (IBGE), divulgados na sexta-feira, 30, mostraram que a  taxa de desemprego no país chegou 14,4% no trimestre encerrado em fevereiro, ligeiramente abaixo do pico de 14,6% registrado em setembro do ano passado. O índice de subutilizados, ou seja, pessoas que trabalham menos do que gostariam, chegou a 29,2%, um contingente de 32,6 milhões de brasileiros. “Toda a recuperação de crise é natural que primeiro sejam criadas vagas informais e intermitentes [sem jornada regular]. Entre 2017 e 2018, foi assim, até que em 2019 estávamos ensaiando uma recuperação no mercado formal”, afirma Renan Pieri, economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). Essa transição do desemprego para o emprego de baixa qualidade é justificada pela falta de confiança dos responsáveis pela criação das vagas de trabalho — empresários, lojistas, industriais, entre outros — na retomada da economia. “Esse tipo de emprego gera menos riscos para o empregador. Ele não sabe se a demanda vai crescer, se vai precisar enfrentar um novo período de restrição para o funcionamento. Tudo isso faz com que a criação de emprego seja postergada até o que o cenário fique mais claro.”

Depois de um primeiro trimestre frustrado pela disparada recorde do caso de mortes e infecções pelo novo coronavírus e a letargia para a vacinação em massa, analistas do mercado jogaram as perspectivas de recuperação da economia para o segundo semestre. Dados do Produção de Boletim Focus, que reúne as expectativas de economistas e entidades, revisou timidamente para cima a projeção de alta do Produto Interno Bruno (PIB)em 2021 de 3,04% para 3,09%, o primeiro sinal positivo depois de uma sequência de cortes. Apesar da indicação de otimismo, ainda não é certo qual a velocidade do impacto dessa mudança no mercado de trabalho. Porém, é possível afirmar que não será algo imediato, e que até lá o país deve lidar com o aumento da “geração nem-nem”, como são chamados os jovens que estão fora do mercado de trabalho e do sistema de ensino. “Há um problema estrutural com muita gente desempregada e sem completar nem o ensino médio. Com o desemprego prolongado e baixa qualificação, o surgimento dessa ‘geração nem-nem’ será o principal efeito ao país”, afirma Pieri.

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