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China x Taiwan

Via: fala universidades

A 225Km da Chinacontinental há uma segunda China. Uma ilha de 36.000 km² que flutua atrás da bruma oceânica e se autodenomina República da China, com governo e constituição próprios, um dialeto típico, a economia feroz como um tigre e que se encontra no meio de uma guerra comercial entre dois gigantes: a República Popular da China e os Estados Unidos da América. Essa ilha é conhecida pelo resto do mundo como Taiwan, e seu lugar no cenário global tem uma história que anda de mãos dadas com as guerras e a polarização política.

Acontece que a “Ilha Formosa”, como foi apelidada, possui em seu cerne um conflito quase secular que pode pôr em xeque sua existência como país autônomo. Isso porque Taiwan não é independente nem reconhecida pela maioria dos países, o que a faz mercê dos dois gigantes que hora a protegem, hora a ameaçam. Como disse Cícero: “A história é testemunha do passado”, e para compreendermos esse cenário caótico aparentemente sem saída, precisamos conhecê-la.

NASCE UMA NOVA CHINA

Tudo começa no continente em 1911, quando uma República da China surge no oriente e finca sua bandeira sobre uma Monarquia caída, o contexto era uma China enfraquecida e dividida pelo imperialismo das nações europeias. A partir daí, a instabilidade política gera a criação do partido nacionalista Chinês, o Kuomintang. Os nacionalistas, porém, não estavam sozinhos, em 1917, um gigante escarlate despertou no norte, e em terras Russas nasceu o primeiro Estado comunista do mundo. Não demorou para o vermelho transbordar pela fronteira sul, e logo nasceu o Partido Comunista Chinês, ou PCC para os íntimos.

É assim que, em 1925, a estranha amizade entre os dois partidos dá lugar à hostilidade do novo líder nacionalista do país, Chiang Kai-shek. Este personagem ordena, então, uma perseguição sistemática contra os comunistas que cresciam cada vez mais, tornando-se uma ameaça ao Kuomintang. Começa a longa guerra civil, que vai envolver os dois protagonistas desse conflito: deste lado do Tatame temos o líder comunista Mao Tsé-tung, pesando um partido com crescimento desenfreado e aliados ao norte, do outro lado se encontra Chiang Kai-shek, com o peso da faixa presidencial, do apoio da elite e do exército.

Enquanto isso, banhada pelo Mar da China Oriental, a ilha de Taiwan era subjugada por outra ilha. Já que se encontrava há quase cinquenta anos sob controle do Japão, que ganhara o território em uma guerra contra a dinastia Chinesa Qing no século anterior. Esse cenário muda em 1945, tão rápido quanto uma bomba atômica (ou pior, duas), já que com a rendição japonesa no fim da Segunda Guerra Mundial, Taiwan volta a pertencer ao continente. São apenas 14 anos depois, porém, que as trajetórias das duas Chinas se tornam uma só.

O ano é de 1959 e o continente finalmente se curva para o vencedor, Mao Tsé-tung tem o controle sobre o que ele agora chama República Popular da China. Três meses depois, em dezembro daquele mesmo ano, Chiang Kai-shek zarpa com sua comissão do Kuomintang para a Ilha Formosa, levando consigo o sonho da República Chinesa se instala em Taipei, capital do país até hoje.

TERRITÓRIO QUENTE DURANTE A GUERRA FRIA

Naquele período, o mundo se dividiu entre o comunismo de Stalin e o capitalismo do Tio Sam, que lutavam em uma guerra (que só foi fria em seus próprios territórios) pelo controle global de suas ideologias. Assim, Taiwan era vista pelas Nações Unidas como a China legítima, em uma mensagem clara que invalidava o comando comunista da China continental. Na realidade, é fato que os EUA tinha medo de que outro território asiático caísse nas mãos vermelhas da União Soviética, como o Vietnã e Coreia do Norte, por isso, não haviam motivos suficientes para Taiwan se sentir segura com o apoio estadunidense, que poderia mudar junto com as marés da guerra.

É assim que a maré de sorte que inundava a ilha recuou, sem voltar por boas décadas. Isso porque a partir da década de 60, Mao Tsé-tung já não era muito bem quisto dentro do PCC, atrito que começou com planos de industrialização catastróficos, seguidos de um levante contra a oposição dentro do partido (movimento que ficou conhecido como Revolução Cultural Chinesa), o que culminou na deposição do líder. O que se seguiu foi o fim das relações amistosas entre a URSS e a China continental, o que aproximou os Estados Unidos contra o inimigo em comum.

É dessa forma que, em 1971, Taiwan deixa de ser reconhecida pela ONU e tem seu destino selado sobre uma mesa de ping-pong; e uma das economias que mais crescia na Ásia passa a ser deslegitimada por cada vez mais países – incluindo o Brasil, que pulou fora em 1974. Apesar dessa queda, Taiwan não desistiu de retomar o controle sobre a República Popular da China até a década de 90, quando um acordo de unificação transformou o Kuomintang em um aliado obediente do continente, que vem perdendo popularidade dentro da ilha nos últimos anos.

A ILHA FORMOSA NA MIRA DO DRAGÃO

Ainda sob tensões, em 2005, o continente sancionou uma lei de antisseparação que permitia uma intervenção militar na ilha em caso de tentativa de independência, e as relações econômicas entre as duas Chinas passaram a crescer consideravelmente. A Guerra Comercial começou, porém, quando a China disparou economicamente, tornando-se uma máquina exportadora e uma ameaça real ao controle estadunidense. O gigante ocidental, portanto, passou a defender a independência de Taiwan e, em resposta, Pequim se recusou a fazer negócios com os atuais 15 Estados que não reconhecem sua soberania sobre a Ilha rebelde. É assim que Taipei se tornou uma peça-chave no quebra-cabeça desse conflito, como um elemento capaz tanto de enfraquecer quanto de impulsionar a economia chinesa, dependendo de sua situação política.

Chegamos, então, às eleições taiwanesas de 2016, que elegeram Tsai Ing-wen, do Partido Democrático Progressista. A presidente, que se encontra atualmente no segundo mandato, subiu ao poder com um discurso separatista, o que deixou a República Popular da China em estado de alerta nos últimos seis anos, período em que colecionou ameaças principalmente dos EUA e do Japão que prometeram defender a democracia taiwanesa em prol de suas próprias. Hoje, pode-se dizer que o maior desafio da Ilha é a dependência econômica e o isolamento diplomático, já que o país não participa de praticamente nenhum bloco econômico ou grupo internacional, como o comitê olímpico e a OMS. Ainda assim, continua se contorcendo para se soltar do grande dragão que se tornou a Chia Comunista, conquistando o lugar merecido entre os tigres do bloco Tigres Asiáticos.

É assim que foi armado o circo diplomático do extremo oriente e foi escrita a história de duas Chinas, separadas por algumas ondas e sonhos de controle e liberdade.

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