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A MORTE E A VIDA

Via: hablar com Dios

– Que tipo de morte devemos evitar e temer.

– O pecado, morte da alma. Efeitos do pecado.

– Estimar a vida da alma sobre todas as coisas.

I. A LITURGIA deste Domingo fala‑nos da morte e da vida. A primeira Leitura1 diz‑nos que a morte não estava dentro do plano inicial do Criador: Deus não fez a morte nem se alegra com a destruição dos vivos; ela é conseqüência do pecado2. Jesus aceitou‑a “como uma necessidade da natureza, como uma parte inevitável do destino do homem sobre a terra. Jesus Cristo aceitou‑a […] para vencer o pecado”3. A morte oprime o coração do homem4, mas conforta‑nos saber que Jesus aniquilou a morte5. Já não é esse evento tenebroso que o homem deve temer acima de tudo. Mais ainda: para quem tem fé, é a passagem obrigatória deste mundo para o Pai.

O Evangelho da Missa apresenta‑nos Jesus que chega novamente a Cafarnaum, onde o espera uma grande multidão6. Esperam‑no sobretudo, particularmente ansiosos e cheios de fé, tanto o chefe da sinagoga, Jairo, que está com uma filha a ponto de morrer, como uma mulher atribulada por uma longa doença que lhe tinha consumido todos os haveres.

No caminho que conduz a casa de Jairo, Jesus cura a mulher e detém‑se uns instantes a confortá‑la. Nesse momento, comunicam ao chefe da sinagoga: A tua filha morreu; para que incomodas ainda o Mestre? Mas Jesus pede a Pedro, Tiago e João que o acompanhem a fim de serem testemunhas do milagre que realizará a seguir. Chegam a casa de Jairo e Jesus vê todo o alvoroço dos que choram e das carpideiras. E ao entrar diz‑lhes: Para que este alvoroço e este choro? A menina não morreu, mas dorme. E os circunstantes zombavam dEle… Não compreendiam que, para Deus, a verdadeira morte é o pecado, que mata a vida divina na alma.

Para quem crê, a morte terrena é como um sono do qual se acorda em Deus. Assim a consideravam os primeiros cristãos. Não queremos que ignoreis – dizia São Paulo aos cristãos de Tessalônica – o que se passa com os que dormiram, para que não vos aflijais como os que não têm esperança7. Não podemos afligir‑nos como os que nada esperam depois desta vida, porque se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, por Jesus, tomará consigo os que dormiram nEle8. Ele fará conosco o que fez com Lázaro: O nosso amigo Lázaro dorme, mas vou despertá‑lo. E quando os discípulos pensaram que se tratava do sono natural, o Senhor afirmou claramente: Lázaro morreu9.

Quando a morte chegar, fecharemos os olhos para esta vida e despertaremos na Vida autêntica, aquela que dura por toda a eternidade: Ao entardecer, visita‑nos o pranto; ao amanhecer, o júbilo, rezamos com o Salmo responsorial10. O pecado é a autêntica morte, pois é a terrível separação – o homem quebra a sua união com Deus –, ao pé da qual a outra separação, a do corpo e da alma, é coisa mais leve e provisória. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá nunca11.

A morte, que era o nosso supremo inimigo12, é agora nossa aliada, converteu‑se no último passo, depois do qual encontraremos o abraço definitivo do nosso Pai, que nos espera desde sempre e que nos criou para permanecermos com Ele. “Quando pensares na morte, apesar dos teus pecados, não tenhas medo… Porque Ele já sabe que o amas…, e de que massa estás feito.

“– Se tu o procurares, acolher‑te‑á como o pai ao filho pródigo: mas tens de procurá‑lo!”13 Tu sabes, Senhor, que te procuro dia e noite.

II. JESUS DISSE A JAIRONão morreu, mas dorme. “Estava morta para os homens, que não podiam despertá‑la; para Deus, dormia, porque a sua alma vivia submetida ao poder divino, e a carne descansava para a ressurreição. Explica‑se assim que se tenha introduzido entre os cristãos o costume de referir‑se aos que morreram dizendo que dormem, pois sabemos que ressuscitarão”14.

A morte corporal não é um mal absoluto. “Não esqueças, meu filho, que para ti, na terra, só há um mal que deverás temer e evitar com a graça divina: o pecado”15, pois “a morte da alma é não temer a Deus”16. Quando o homem peca gravemente, perde‑se para si mesmo e para Deus: é a maior tragédia que lhe pode acontecer17. Afasta‑se radicalmente de Deus, pela morte da vida divina na sua alma; perde os méritos adquiridos ao longo da vida e torna‑se incapaz de adquirir outros novos; fica submetido de algum modo à escravidão do demônio, e diminui nele a inclinação natural para a virtude. É tão grave que “todos os pecados mortais, mesmo os de pensamento, tornam os homens filhos da ira (Ef 2, 3) e inimigos de Deus”18. Sabemos pela fé que um só pecado – sobretudo o mortal, mas também o venial – constitui uma desordem pior que o maior cataclismo que assolasse toda a terra, porque “a bondade da graça de um só homem é maior que o bem natural de todo o universo”19.

O pecado não prejudica somente a quem o comete: também causa um dano à família, aos amigos, a toda a Igreja, e “pode‑se falar de uma comunhão no pecado, por força da qual uma alma que se rebaixa pelo pecado rebaixa a Igreja e, de certa maneira, o mundo inteiro. Por outras palavras, não existe pecado algum, mesmo o mais íntimo e secreto, o mais estritamente individual, que diga respeito exclusivamente àquele que o comete. Todo o pecado repercute, com maior ou menor intensidade, provocando maior ou menor dano, em toda a estrutura eclesial e em toda a família humana”20.

Peçamos com freqüência ao Senhor a graça de termos sempre diante dos olhos o sentido do pecado e a sua gravidade, de nunca expormos a alma ao perigo, de não nos acostumarmos a ver o pecado à nossa volta como coisa de pouca monta, e de sabermos desagravar pelas faltas pessoais e pelas de todos os homens. Que o Senhor possa dizer no final da nossa vida: Não morreu, mas dorme. Ele nos despertará então para a Vida.

III. JESUS NÃO SE IMPORTA com os que se põem a zombar dEle; pelo contrário, fazendo sair a todos, tomou consigo o pai e a mãe da menina e os que iam com ele, e entrou onde a menina estava; e, tomando‑a pela mão, disse‑lhe: “Talitha qum”, que quer dizer: Menina, digo‑te, levanta‑te. E imediatamente a menina levantou‑se e pôs‑se a andar, pois tinha doze anos, e as pessoas encheram‑se de grande espanto.

Os Evangelistas transmitem‑nos um pormenor humano de Jesus, quando relatam a seguir que o Senhor mandou que dessem de comer à menina. Jesus – perfeito Deus e homem perfeito – também se preocupa com os assuntos relativos à vida aqui na terra, mas devemos ver nisso um sinal de que se preocupa muito mais com tudo o que se relaciona com o nosso destino eterno. São Jerônimo – comentando as palavras do Senhor: Não está morta, mas dorme – sublinha que “ambas as coisas são verdade, porque é como se tivesse dito: está morta para vós, mas para mim dorme”21. Se amamos a vida corporal, como não devemos amar e apreciar a vida da alma!

O cristão que se esforça por seguir de perto os passos de Cristo, detesta o pecado mortal e habitualmente não incorre em faltas graves. Mas não há ninguém que esteja confirmado na graça, e a convicção de que somos fracos deve levar‑nos a evitar as ocasiões de pecado mortal, mesmo as mais remotas. A vida da alma vale muito! Para isso, devemos esforçar‑nos também por praticar assiduamente a mortificação dos sentidos, por não confiar em nós mesmos, nem na nossa experiência, nem no longo tempo em que talvez venhamos já seguindo o Senhor…

Para robustecermos a vida da alma, é necessário que mantenhamos a luta longe das situações‑limite do grave e do leve, do que é permitido ou proibido. Os pecados veniais deliberados causam um mal terrível à alma dos que não lutam decididamente por evitá‑los. Sem impedirem a vida da graça, esses pecados debilitam‑na, porque entravam o exercício das virtudes e tornam menos eficazes os suaves impulsos do Espírito Santo; além disso, predispõem – se não se reage com energia – para quedas mais graves.

Peçamos à Virgem nossa Mãe que nos conceda o dom de apreciarmos a vida da alma por cima de todos os bens humanos, mesmo da própria vida corporal; e que nos faça reagir com contrição verdadeira diante das nossas fraquezas e erros. Que possamos dizer com o salmista: Os meus olhos derramaram rios de lágrimas, porque não observaram a tua lei22. A morte corporal tem menos importância do que o esforço por manter e aumentar a vida da alma.

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