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China registra mais de 10.000 casos de uso de força do governo contra grupos religiosos

Em recente publicação, no final de setembro de 2021, o instituto de pesquisa Pew Research Center divulgou os dados de seu estudo global sobre restrições às religiões. Os estudos se baseiam em políticas e eventos do ano de 2019 e analisam 198 países.

Um dos itens considerados na análise são as hostilidades sociais, as quais variam desde assédio sobre a identidade religiosa até a violência de turba relacionada à religião, conflito sectário e terrorismo. Por outro lado, as restrições governamentais, também estudadas, versam sobre leis, políticas e ações oficias que infringem as crenças e práticas religiosas de grupos ou indivíduos dentro de um país.

Acerca das hostilidades sociais, os números foram positivos. O nível de países com índices “altos” ou “muito altos” de hostilidades sociais caiu de 53 (27% dos países estudados), em 2018, para 43 (22%), em 2019. Em relação a pontuação mediana de todos os países no Índice de Hostilidades Sociais, caiu de 2.0, em 2018, para 1.7, em 2019. Trata-se do menor nível desde 2014.

Em específico sobre as Américas, os dados permanecem estáveis, de maneira que as hostilidades sociais envolvendo religião são raras em comparação ao resto do mundo. Exemplo de hostilidade ocorrida nas Américas foi a expulsão de missionários e pastores protestantes na Bolívia, em 2018, de áreas rurais em que crenças espirituais indígenas são realizadas. Em relação a 2019, nenhuma expulsão foi relatada no mesmo país.

Tratando-se de terrorismo relacionado à religião, houve queda pelo quinto ano consecutivo. Em 2019, 49 países sofreram com esse tipo de terrorismo, contra 64 países em 2018.

Em contraposição a maioria dos números positivos, houve aumento das restrições de governos às religiões, como interferência na adoração, permanecendo em número recorde.

A pontuação mediana global do Índice de Restrições Governamentais permaneceu em 2.9, o nível mais alto desde que a tendência começou a ser analisada pelo centro de estudos. O número de países com níveis “altos” ou “muito altos” de restrições governamentais subiu de 56 países em 2018 para 57 (29% de todos os países analisados) em 2019. No total, governos em 180 países perseguiram grupos religiosos de alguma forma em 2019, a exemplo de autoridades do Tajiquistão que prenderam 17 fiéis da denominação Testemunhas de Jeová, grupo cujas atividades são proibidas no país. Além disso, 163 governos interferiram na adoração religiosa.

Acerca do assédio contra grupos religiosos no mundo, os cristãos seguem como os mais perseguidos. Numa crescente desde 2013, houve assédio contra cristãos em 153 países no ano de 2019, contra 145 países em 2018. Os muçulmanos ocupam a segunda colocação, também em crescente, com assédio em cerca de 147 países no ano de 2019.

Sobre essa estatística, a maioria dos grupos religiosos analisados enfrentou o assédio em mais países por parte de governos e funcionários públicos do que, na esfera privada, de grupos sociais ou indivíduos.

No Paquistão, um cristão suspeito em um caso de roubo foi torturado enquanto estava sob custódia da polícia e morreu poucas horas depois de ser libertado, de maneira que houveram relatos de que um dos policiais que prendeu o homem disse: “Eu sei lidar com esses infiéis”. Além desse caso, houveram diversos relatos, em Cuba, de funcionários do Estado ameaçando líderes de igrejas cristãs domésticas por conduzirem atividades religiosas.

Destaca-se, também, dentre os 25 países mais populosos do mundo, países como China, Egito, Rússia, Irã e Indonésia, os quais tiveram os níveis mais altos de restrições governamentais.

Além da detenção de muçulmanos uigures na China, assim como a destruição de mesquitas no final do Ramadã em 2019, o país asiático instalou equipamentos de vigilância em igrejas, mesquitas, uma sinagoga e outras casas de culto, informa a publicação. Também foi usado tecnologia de reconhecimento facial para monitorar e coletar dados biométricos sobre determinado grupo muçulmano, considerado como ameaça em potencial pelo governo chinês.

Por fim, presente em mais uma lista, China, Mianmar, Sudão e Síria, registraram mais de 10.000 casos de uso de força do governo contra grupos religiosos.

Mais informações sobre a publicação do estudo global podem ser obtidas no site do Pew Research Center.

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